O Botafogo-PB precisava de uma vitória de dois gols de diferença diante do Serra Branca, nesse sábado, pela partida de volta da semifinal do Campeonato Paraibano 2026, para escapar do desespero dos pênaltis e avançar para a sua terceira final seguida ainda no tempo regulamentar. E foi isso que o time comandado por Lisca conseguiu. Com gols de Felipe Azevêdo, Henrique Dourado e Dudu Nardini, o Belo se garantiu na decisão do Estadual. Marcelo Toscano foi que diminuiu para o Carcará no Estádio Almeidão, que recebeu um público de cerca de 8 mil pessoas. O blog analisa abaixo alguns aspectos da vitória botafoguense abaixo.
Reforços para jogo
Durante a semana, uma grande dúvida pairava sobre a imprensa esportiva e também os torcedores do Belo. Qual seria a filosofia do treinador Lisca para a escolha dos onze titulares para a partida diante do Serra Branca no Estádio Almeidão. Os reforços iriam para jogo como titulares? Michael Fracaro seria barrado após o erro grave que cometeu no jogo de ida, que acabou gerando uma vantagem ao Carcará? Lisca daria moral aos reforços ou abraçaria os atletas mais antigos?
Não me surpreendeu a escolha pela personalidade e tamanho que Lisca tem. Além de que, pelo menos para mim, diante de um time que até agora acumula mais atuações ruins do que boas, não fazia muito sentido um abraço inegociável a esse grupo. De modo que a decisão mais acertada, penso eu, era dar moral aos atletas recém-contratados mesmo, visto que desembarcaram na Maravilha do Contorno sobretudo sob a lógica de que chegam para agregar e que são melhores do que os que já estavam.
+ Receba conteúdo diariamente pelo WhatsApp
Foi isso que Lisca fez. O treinador botou rigorosamente todos os novos reforços como titular. Luiz Daniel assumiu o gol, Lucas Sena entrou no lugar de Erick, Rodolfo botou Dourado no banco, e Felipe Azevêdo entrou de titular no ataque. Vale lembrar que Kayon, PK, Varela e Guilherme Santos estavam fora da partida, por conta de lesões. Desses, Kayon e Varela dificilmente seriam sacados do time titular, até porque vêm bem. PK poderia surgir no lugar de Bull. Guilherme Santos vinha até sendo titular, mas acredito que seria barrado por Felipe Azevêdo mesmos e tivesse 100%, visto que vem fazendo partidas muito ruins.
Fato é que o time entrou com Luiz Daniel; Lucas Sena, Yan Souto, Marcio Silva e Bull; Igor Maduro, Dudu Nardini e Nenê; Felipe Azevêdo, Hatamoto e Rodolfo. Ou seja, os reforços todos foram titulares, mesmo que com poucos dias de trabalho para poder aprimorar o entrosamento. Em um jogo que poderia ser o último não fazia mesmo sentido não apostar nos investimentos mais recentes. Esperar o quê?
Lucas Sena até começou bem a partida, parecia que ia entregar mais do que Erick. Mas aparentemente cansou e errou demais na segunda etapa, sendo até substituído pelo lateral paraibano. Luiz Daniel fez um jogo seguro, portanto, melhor do que o último de Fracaro. Acabou que não foi tão exigido. Numa das poucas vezes que foi, sofreu gol de Marcelo Toscano, que fez uma grande finalização de fora da área, sem chances de defesa.
Os atacantes alternaram bons e maus momentos no jogo. Felipe Azevêdo é claramente melhor do que as outras opções de lado do campo de Lisca, com exceção de Kayon. Imagino que o time entre na final com os dois em campo, um em cada beirada, com alguma referência (Rodolfo ou Dourado). Na sua estreia como titular, abriu o placar da partida para o Botafogo-PB, então dá para dizer que fez a sua parte.
Já Rodolfo entregou muitos erros, porém um aspecto interessante ele conseguiu entregar. Ele foi algumas vezes acionado para disputar bola com os zagueiros e nisso ele foi mal. Quando teve que ir para o embate físico, foi neutralizado mais do que deu trabalho. Não deve entregar muito esse aspecto de jogo. Ou seja, a bola vai ter que chegar para ele no pé, sem tantas alongadas para ele disputar fisicamente com os defensores.
Quando chegou no pé, Rodolfo deu dinâmica ao time. Conseguiu tabelar bem, e jogando de costas acelerou bem o jogo, soltando a bola de primeira em tabelas, o que limpava bem o campo para quem chegava de trás, que recebia redonda dele, com campo de visão e um certo espaço para poder abrir o jogo, finalizar ou fazer enfiadas. Dourado, quando entrou em seu lugar, também entregou isso. Ambos, no entanto, têm a mesma dificuldade e vencer fisicamente dos zagueiros e sustentar a bola em embates físicos, seja para poder armar no último terço, perto da área, seja para ganhar na massa e ficar em condições de definir.
Legado de Pastana, Dudu Nardini tem grande atuação
Antes de falar de Nardini, o Botafogo-PB teve uma outra estreia na semifinal. O atacante Hatamoto começou jogando, possivelmente por conta do desfalque de Kayon, para poder manter pelo menos um jogador intenso, com maior vigor físico e rapidez dos que os companheiros do ataque, que realmente são mais lentos (Nenê, Rodolfo e Felipe Azevêdo). Ele não fez uma grande partida, mas também não foi mal. Apesar de ser do elenco que começou a temporada, ficou lesionado por muito tempo e fez apenas o seu primeiro jogo com a camisa alvinegra.
O Belo, aliás, num segundo jogo de semifinal, contou com dois jogadores que pela primeira vez atuaram pelo clube (Luiz Daniel e Lucas Sena), além de cinco estreias como titulares (Luiz Daniel, Lucas Sena, Hatamoto, Rodolfo e Felipe Azevêdo). Isso diz muito sobre o Botafogo-PB na competição. É muita estreia para uma reta final de torneio. E, como eu já disse, foi um acerto fazê-las. Porém, explica muita coisa sobre a atuação do clube no Estadual, que realmente foi bem ruim na maior parte dos jogos, tanto em disposição quanto em qualidade técnica do conjunto.
O elenco é desequilibrado, cheio de jogadores com pouca intensidade e repleto também de atletas que entregam muito pouco tecnicamente. Muitos até atrapalham muito. É claro que independente do nível de jogo entregue até esse momento, é sempre importante reforços para a reta final do Paraibano. Mas o número elevado de reforços e de promoções tão rápidas ao time titular advém de uma necessidade que era importante ser imensamente menor, diante do investimento de cerca de R$ 1 milhão mensal para a folha do elenco.
Assim como Hatamoto, quem também chegou ao clube desde o início da temporada foi Dudu Nardini. Outro “legado” de Rodrigo Pastana, executivo de futebol que montou a maior parte do elenco e que foi demitido com Bernardo Franco na primeira correção de rota do departamento de futebol em 2026.
Nardini, que é meia ofensivo de origem, começou de titular a temporada, após uma boa pré-temporada. Não foi bem. Logo perdeu espaço e de maneira justa. Mas ninguém também, com exceção de Nenê, encaixou no jogo por dentro mais perto da área. Com o desfalque de Varela, Lisca recuou um pouco Nardini e colocou o jogador de volante titular contra o Serra.
O meia correspondeu. Foi uma espécie de primeiro volante do time com a bola, jogando por dentro, dando liberdade para Igor Maduro aparecer como opção em associações no lado direito, e sendo fundamental na saída de bola do Belo no jogo, encontrando linhas de passe entre as linhas, arriscando e acertando esse tipo ligamento vertical muitas das vezes, o que é muito importante para a construção de um jogo produtivo ofensivamente — coisa que apenas o volante Varela e o zagueiro Yan Souto fazem nesse time do Belo, o que é muito pouco em quantidade de atletas em campo que buscam quebrar linhas com passe.
Deu ritmo ao Botafogo-PB contra o Serra Branca e, para mim, foi o melhor em campo diante do Carcará. Foi coroado com um golaço de fora da área, que deu a classificação ao clube pessoense no tempo regulamentar, sacramentando a vitória por 3 a 1 e a remontada no agregado, que terminou em 3 a 2.
O Botafogo-PB agora espera o vencedor da outra semifinal, entre Campinense e Sousa. O Belo torce, para decidir em casa a grande decisão do Estadual, para que o Sousa se classifique, ou para que o Campinense passe de fase sem vencer logo mais no Estádio Amigão. Esses dois cenários fazem o Belo fazer a partida de volta da final no Estádio Almeidão.