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ARBITRAGEM DE VÍDEO

Dono da SAF do Botafogo-PB solicita árbitro de vídeo e quer arbitragem local na final; VAR é ainda mais importante nas semifinais, mas FPF e clubes ignoram

Fillipe Félix resolveu elogiar a arbitragem paraibana, pedir que ela participe das finais, mas solicitou que a Federação Paraibana de Futebol banque o árbitro de vídeo nas finais diante do Sousa
VAR
Pedro Alves / ge
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Após o fim da partida entre Botafogo-PB e Serra Branca no último sábado, vencida pelo Belo por 3 a 1, o que classificou o clube para a final do Campeonato Paraibano 2026, o dono da SAF do Alvinegro concedeu uma rápida entrevista coletiva. Fillipe Félix resolveu elogiar a arbitragem paraibana, pedir que ela participe das finais, mas solicitou que a Federação Paraibana de Futebol banque o árbitro de vídeo nas finais diante do Sousa.

— Tem sido um campeonato com um nível legal. O campeonato melhorou muito. Queria parabenizar Michelle Ramalho. Mas não podemos correr o risco em uma final. Nós queremos que a arbitragem seja daqui. Mas queria solicitar o VAR nos dois jogos. Seria para encerrar com chave de ouro o campeonato — comentou Félix, numa espécie de solicitação informal, ainda que oficial.

Análise

É bem possível que a Federação Paraibana de Futebol (FPF) viabilize o VAR nos jogos da final. Pelo regulamento do Campeonato Paraibano, os clubes também podem solicitar o uso, mas com 20 dias de antecedência ao jogo que quer que a tecnologia seja utilizada, além de bancar os custos do uso dos equipamentos e da própria arbitragem. De modo que a esperança prática para que tenha VAR na final recai mesmo sobre a vontade e o consequente investimento da FPF. Mas a verdade é que a tecnologia urge muito mais para o mata-mata que antecede a final. Em 2026, felizmente não houve grandes polêmicas nas semifinais.

Atualmente, diante do que hoje está posto como calendário do futebol nacional, com a divisão atual de vagas para as tantas competições que integram o futebol brasileiro, no Campeonato Paraibano, a fase mais importante de todas é a semifinal. É ela que define os futuros e o ano seguinte para os clubes que nela chegam.

Os finalistas do estadual da Paraíba garantem vagas na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste. Caso sejam esses finalistas clubes que não estejam em séries superiores, eles também se garantem, com a vaga na decisão, suas presenças na Série D do Campeonato Brasileiro. De modo que quem chega na final do Estadual já não joga nada a mais do que a importante glória de ser campeão e uma premiação melhor, por exemplo, no caso da edição deste ano, que o campeão ganha R$ 100 mil e o vice R$ 50 mil.

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Ou seja, são as semifinais que colocam mil coisas em jogo. Cotas que somadas são milionárias. E elas deveriam ser prioridade para contar com o financiamento do VAR nas quatro partidas da semi. Esses são os jogos mais importantes do Campeonato Paraibano em relação ao ecossistema do futebol. É onde os clubes jogam a sua subsistência do ano seguinte. Onde definem um orçamento mais robusto ou não para a temporada do ano que vem. Onde entendem qual vai ser o futuro, mesmo que de curto prazo, para cada time.

Diante de uma perspectiva de valorizar o médio prazo como um valor fundamental no futebol, a organizadora do campeonato deveria compreender a importância da semifinal do seu estadual. E para contemplar a justiça como valor-mor da aplicação de regras de um jogo que já entrega muitas interpretações na mão se um ser humano, o árbitro, era importante se distanciar de polêmicas que o VAR pode evitar, em um momento em que basicamente todas as vagas e orçamentos de competições futuras para os clubes paraibanos são definidos.

Isso não quer dizer que as finais não devam ter VAR também, ou que a decisão de um título seja menor em comparação a definições de vagas em competições nacionais e regionais. Mas a verdade é que o futuro dos clubes no ponto de vista da própria existência estrutural, para que se fomente uma perspectiva de profissionalismo, é decidido, atualmente, muito mais nas semifinais. E esses duelos não terem VAR é um pecado enorme da cadeia do futebol paraibano.

E eu digo cadeia, porque sempre, penso eu, a responsabilização precisa ser compartilhada. É claro que essa visão já poderia ser automática da organizadora do evento, a FPF. Mas os Conselhos Técnicos servem não só para gritos ou baixadas de cabeça. Qual o clube que já pensou que era fundamental o VAR antes das finais e sugeriu isso? Até que aconteça um erro grave que defina quem entra de férias mais cedo e quem se garanta em competições importantes no ano seguinte. Infelizmente, em geral, o mundo só muda após as tragédias. Ainda bem que futebol é coisa bem menos importante.

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