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"CASAMENTO" EM CRISE

Descansado, Botafogo-PB entrega poucas intensidade e criatividade, toma nó tático do Floresta, e Lisca sai vaiado pela primeira vez do Almeidão

Em derrota para o Floresta pela Série C, Botafogo-PB faz partida ruim, é inferior ao time visitante e frustra torcida, que reage contra Lisca
Lisca, Botafogo-PB, técnico
Foto: João Neto / Botafogo-PB
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O planejamento do Botafogo-PB foi bem claro para o ciclo dos dois últimos jogos. Prioridade para a Série C do Campeonato Brasileiro. Com o time considerado titular sequer viajando para Itabaiana, no interior de Sergipe, onde encarou o Itabaiana pela penúltima rodada da Copa do Nordeste, o reserva acabou conquistando um empate no meio de semana. Enquanto isso, Lisca, que também não viajou, trabalhou com o grupo principal a semana toda, de olho no Floresta.

Em campo, nesse sábado, no entanto, pouco serviu, na prática, a escolha da comissão técnica, que até fez sentido, visto que os resultados da rodada da Copa do Nordeste fariam o Belo chegar vivo na última rodada qualquer que fosse o placar diante do Itabaiana. A janela se abriu para preservar os titulares, o clube optou por isso, mas diante do Floresta o primeiro quadro pouco fez.

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A verdade é que o Belo de Lisca no sábado entregou muito pouco. Nem a intensidade, esperada pelo fato de o time ter evitado um ritmo de jogo no meio de semana e, claro, os deslocamentos de ida e volta para Sergipe. Nem criatividade, passando a maior parte do jogo ou com uma posse de bola inócua, sobretudo no primeiro tempo, sendo facilmente envolvido pelo aplicado jogo sem bola do clube cearense, ou sem a bola, diante da superioridade do time de Leston Júnior por toda a segunda etapa.

Resultado: o Botafogo-PB descansou seus titulares, fez uma partida ruim sob todos os aspectos em casa, levou um nó tático do seu ex-técnico, e Lisca, que também é parte desse fracasso do fim de semana, teve que descer para os vestiários do Almeidão após o apito final pela primeira vez vaiado.

Análise do jogo

O Botafogo-PB até começou bem os primeiros 15 minutos. Deu uma boa sufocada no adversário, criou boas chances iniciais, rondou a área do Floresta e até fez o gol. Mas antes disso levou o primeiro, após a primeira saída do Floresta, que parecia que ia jogar basicamente atrás da linha da bola e explorar transições rápidas para dar uma ou outra incomodada.

Mesmo assim, após sofrer o gol, aos seis minutos, o Belo reagiu rápido, se mantendo atacante, propositivo e com intensidade ofensiva. Dois minutos depois, em uma grande jogada do ataque botafoguense, Igor Maduro, Felipe Azevêdo e Nenê construíram uma bela trama, se associaram bem, e o camisa 10 saiu na cara do goleiro, finalizando por cima do arqueiro e empatando o jogo.

O jogo do Floresta, no entanto, depois do gol, se assentou. O time passou a fechar os espaços, a imprimir uma grande marcação na sua segunda linha da quatro jogadores, que balançava rápido diante da busca de espaço por parte do time da casa ao circular a bola. A primeira linha tinha cinco jogadores, com os laterais saltando, às vezes, para pressionar o portador da bola botafoguense quando este ainda estava antes do terço final, buscando a progressão. Se o atleta do Belo avançasse mais a primeira linha de cinco do Floresta se formava.

O Botafogo-PB teve até mais posse de bola, mas pouco criou depois desse início, e só foi incomodar depois, na reta final da primeira etapa, com bolas cruzadas na área. O Floresta jogava majoritariamente em transição, mas também não deixou de buscar ter a posse para poder construir a partir de um pouco mais de calma e de mais atletas colocados no campo ofensivo. De todo modo, realmente teve menos a bola na primeira etapa.

O jogo realmente não era simples para o Belo. O time de Lisca tinha que ter, ao mesmo tempo, paciência para ficar com a bola, mas rapidez para tentar atrasar um pouco o balanço defensivo da equipe de Leston, na tentativa de encontrar espaços. E, inevitavelmente, tinha que procurar quebras de linhas, seja conduzindo bola e com dribles, estes cada vez mais raros no futebol, seja com passes mais verticais, pelo corredor central mesmo, visto que com a primeira linha de cinco do Floresta, os corredores laterais no terço final estavam mais neutralizados. Acontece que faltou criatividade para quebrar as linhas.

Na segunda etapa, o Botafogo-PB voltou consideravelmente pior. O Floresta, então, entendeu que poderia vencer o jogo e não sair apenas com um ponto de João Pessoa. Manteve a estrutura da primeira linha, sem bola, mas passou a se colocar mais no campo botafoguense, tomou a posse para si e acuou o Belo. Parecia que estava jogando em casa, e o Botafogo-PB fora.

O time de Lisca foi envolvido, não ofereceu lá muita resistência, não conseguiu mais atacar praticamente e foi dominado. Na coletiva, Lisca foi muito honesto com o que foi o jogo, compreendendo que tudo isso aqui analisado ocorreu mesmo e que o adversário foi melhor na partida, pontuando também que o Botafogo-PB jogou mal e que praticamente nada funcionou.

Na segunda etapa, o Belo teve na conta do azar a saída por lesão de Yan Souto, seu único zagueiro do elenco que dá qualidade à saída de bola da equipe. Depois, Lisca tirou Varela, o outro pingo de qualidade na saída de bola do Alvinegro da Estrela Vermelha. O técnico colocou Saimon, Gabriel Tota, Anderson Chaves, Henrique Dourado e Júlio Vaz na segunda etapa.

A maior parte das mudanças fez sentido e, até a que discordei, a entrada de Saimon, também fez. Ocorre que, ao meu ver, com a saída de Yan não dava para tirar Varela, salvo claro, se o atleta não tinha condições físicas de terminar a partida. Até era verossímil colocar três zagueiros, na busca de dar mais força na amplitude do time, liberando os laterais, Erick e o improvisado Gustavo, para atacarem mais o espaço, a última linha.

Mas a primeira fase de construção iria sair dessa saída de três. E eram três zagueiros sem a característica, ou pelo menos sem a necessária confiança, para poder começar o jogo a partir dali com qualidade. Então simplesmente, na prática, Lisca acabou com as possibilidades de uma saída de bola organizada. A saída de três poderia ser feita, por exemplo, sem ter que colocar um terceiro zagueiro, com Varela sendo mantido no jogo, e até, se necessário, atuando como zagueiro, sem bola, o que preservaria uma qualidade na saída, no jogo com bola. Algo que era necessário para quem estava empatando em casa.

A estratégia também não deu muito certo, tendo em vista que apenas um lado se soltou, o direito, com Erick. Gustavo, improvisado, não atacou a última linha. Aliás, ele não fez nada no jogo bem. Nem defendeu seu lado bem, nem produziu com bola. Acabou sofrendo, jogando numa posição que não é a sua, diante das ausências de Bull e PK.

Enquanto isso, o Floresta dominou o segundo tempo, teve volume, ficou perto de chegar no segundo gol e foi coroado aos 43 minutos com gol de Eliandro, que fez uma pela partida, após uma grande trama da equipe. O som do fim de jogo foi de vaias para o carismático técnico alvinegro, que com a cabeça baixa e sem qualquer reação desrespeitosa aos apupos foi em direção à sua casamata.

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