O Campinense encerrou na semana passada o processo de possível afastamento do seu presidente, Flávio Torreão, que culminou mesmo no impeachment do mandatário do Rubo-Negro. O processo, que foi comandado pelo Conselho Deliberativo (CD) do clube, anunciou que encontrou irregularidades nas prestações de contas, já havia afastado o dirigente e agora tirou Torreão definitivamente do poder.
A saída forçada do ex-presidente abre um espaço de poder para um importante personagem da história raposeira, um outro ex-presidente. William Simões assumiu o clube interinamente durante o afastamento de Torreão e, agora, com a queda definitiva do ex-mandatário do clube, é ele quem assume o Campinense.
+ Receba conteúdo diariamente pelo WhatsApp
Uma volta ao cargo após oito anos, desde quando foi afastado pela Justiça em 2018, ainda em um momento inicial de investigações da Operação Cartola, que apurou um esquema de manipulação de resultados no futebol paraibano.
William foi um dos investigados. Como desdobramento disso, William Simões passou por várias disputas e consequências jurídicas. Foi banido do futebol pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ainda em 2018. Anos depois, em 2022, o banimento caiu na esfera esportiva. Na Justiça Comum foi inocentado no processo decorrente da Operação Cartola.
Simões pega o Campinense em crise
Um dos presidentes mais importantes da história do Campinense, campeão paraibano em 2012, 2015 e 2016, além de presidente do título da Copa do Nordeste 2013, William Simões é sempre uma esperança para parte da torcida da Raposa. Como qualquer dirigente relevante, tem quem o ame e quem o odeie.
Desde 2018, ficou afastado do clube na maior parte do tempo. Não ousou voltar ao clube mesmo que de maneira indireta enquanto esteve sob os holofotes da justiça. Foi sempre muito respeitoso às sanções cautelares, por exemplo. Passou a contribuir, ainda de maneira tímida, a partir das decisões a favor na esfera criminal e na esportiva, depois de 2022.
Até que foi eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Torreão, em 2025. A parceria durou pouco. Incomodado com os rumos que o clube estava tomando em termos de gestão financeira, se afastou do ex-presidente. E fez parte do lóbi para que o Conselho Deliberativo, presidido por um dos seus históricos aliados, Tiago Melo, agisse de maneira institucional para cobrar o presidente. O processo culminou no impeachment de Torreão.
O Campinense ainda vive uma crise financeira grande. Deve a parte do elenco que disputou o Campeonato Paraibano deste ano e a funcionários. O dirigente, portanto, pega a Raposa em um momento delicado, com a missão de organizar o clube em vários sentidos. A começar por cumprir seus compromissos financeiros.
Apesar disso, tem um norte mínimo. A Raposa conseguiu se garantir na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem. Simões volta justamente nesse momento em que o clube, que sofreu algumas temporadas sem disputar torneio nacional, tem uma vaga garantida na Quarta Divisão. Coincidência?
Confira os motivos alegados pelo CD do Campinense para o impeachment do presidente Flávio Torreão
O relatório reuniu documentos, ofícios e depoimentos que permitiram ao Conselho Deliberativo formar convicção sobre os seguintes pontos:
- Salários em atraso, apesar dos recursos disponíveis;
- Recursos recebidos não foram utilizados para pagamento dos débitos;
- Dívidas com fornecedores de itens de alimentação e uso de cartão pessoal de funcionários para custeio de gastos da instituição;
- Dívida relevante não informada ao Conselho;
- Relatório financeiro prometido e não entregue;
- Depósitos judiciais trabalhistas não realizados;
- Restrição ao canal de fiscalização interna;
- Máquina de gelo retirada do Clube e usada em estabelecimento particular;