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Após bastidores ferverem, FPF escolhe novo membro para o Departamento de Arbitragem da Paraíba, mas mantém Arthur Alves no comando

Últimas semanas foram quentes nos bastidores da arbitragem, com vários cenários tendo sido ventilados pela cúpula da Federação Paraibana de Futebol
Arthur Alves, José Ferreira Neto, Ferreirinha
Fotos: Arquivo pessoal e Raniery Soares
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As última semanas foram de bastidores fervendo na arbitragem paraibana. Apesar de ser uma parte fundamental do futebol paraibano, é comum que o que acontece nas entranhas do departamento de arbitragem da Federação Paraibana de Futebol sejam pouco observadas por olhares de fora, incluindo a imprensa, que historicamente pouco ligou para isso.

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Acontece que nas últimas semanas, muitos movimentos aconteceram na ex-Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol da Paraíba (Ceaf-PB) e agora Departamento de Arbitragem da Federação Paraibana de Futebol. Dois personagens, em especial, foram protagonistas dessas movimentações, e agora estarão juntos, com a missão de desenvolver um trabalho que possa melhorar a arbitragem paraibana: Arthur Alves e José Ferreira Neto, o Ferreirinha. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Stefano Wanderley e confirmada pelo blog.

Alguns árbitros criticam Arthur Alves

Nos últimos meses, alguns árbitros começaram a se queixar de uma maneira mais forte, entre si e a funcionários da FPF, que a forma de trabalho de Arthur Alves estava incomodando. Sobretudo em relação ao tratamento interpessoal. Segundo apurou o blog, muitos julgam que o presidente do departamento cobra de uma maneira exagerada, muitas vezes com grosseria.

Outro fato que vem incomodando parte do conjunto da arbitragem local, segundo apurou o blog, é a falta de uma defesa enfática, segundo julgam, de Arthur Alves junto à presidente Michelle Ramalho, para que a arbitragem do estado seja escalada para as finais do Campeonato Paraibano. Desde o jogo de volta da decisão do Paraibano de 2023, as finais vêm sendo apitadas por árbitros de elite, de fora do estado. Se pegarmos o recorte apenas de jogos de volta da final, a partida da taça, a arbitragem paraibana não figura nesse jogo desde 2019.

Muitas vezes por pedidos dos clubes. Já aconteceu, no entanto, que o pedido fosse apenas para que as finais tivessem VAR, o que não obrigaria que fosse árbitro de fora, visto que árbitros do quadro paraibano estão aptos a atuar com arbitragem de vídeo, a exemplo de Ruthyanna Camila e Afro Rocha.

De todo modo, mesmo com o pedido dos clubes, a FPF tem o direito de vetar árbitro de fora e escalar o quadro local. Além de que esse tipo de decisão reside na política e é plenamente possível articular que os clubes que cheguem à decisão possam acatar a arbitragem local. Mas, realmente, essa não tem sido uma agenda da Federação Paraibana, e boa parte dos membros do quadro estadual compreende que Arthur Alves pouco faz para mudar essa realidade.

Ressalto, no entanto, que a arbitragem paraibana não vive um bom momento nas últimas edições do Campeonato Paraibano. Até os principais árbitros do quadro têm cometido erros cruciais durantes os torneios. Faz tempo que nenhum atuação mereça mesmo as finais, ao meu ver. O que faz, para mim, a escolha da FPF acabar sendo a melhor de maneira prática, levando para as finais do Paraibano árbitros de ponta do país. De todo modo não deixa de ser um desprestígio ao quadro local. O que torna a insatisfação dos que compõem o quadro paraibano de arbitragem, em certa medida, legítima.

Por conta de uma certa pressão que houve, segundo apurou o blog, a saída de Arthur Alves do cargo chegou a ser pauta internamente na FPF, mas a presidente Michelle Ramalho preferiu manter o dirigente no seu cargo. A relação entre os dois, que já dura oito anos, tem sido de altos e baixos. No momento, mais de baixos do que de altos. Arthur comanda a arbitragem paraibana desde 2018.

Ferreirinha: críticas passadas fortes a Arthur e agora colega de trabalho

Outra figura importante desse cenário atual na arbitragem paraibano é o ex-árbitros do quadro local, José Ferreira Neto, o Ferreirinha, um dos poucos árbitros que atuou na época da deflagração da Operação Cartola* que não “caiu” após muitos colegas da época serem banidos do futebol.

Ferreirinha começou a apitar em 2017 no quadro local e entrou na CBF em 2020. Não chegou a ter tanto protagonismo nem na Paraíba nem na entidade nacional. Na CBF atuou mais em jogos como quarto árbitro. Em 2023 e 2024 passou a ser analista de campo da CBF na Paraíba, em que acompanha e faz relatórios das atuações dos árbitros da CBF em jogos na o estado. Foi indicado para o cargo por Arthur Alves.

Em 2025, no entanto, acabou sendo preterido pelo agora colega de Departamento de Arbitragem, para a entrada do ex-árbitro Eder Caxias, o que lhe causou revolta, devidamente registrada em uma entrevista para o Podcast Futpb.

— A melhor palavra é essa (vaga vendida, dita antes pelo entrevistador Raphael Costa). Isso mostra como o patrocinador pode ser forte no futebol. O cara chega, patrocina o material que os árbitros vão utilizar no campeonato do ano, patrocina no outro ano, e depois ele é premiado com um lugar na arbitragem, com o argumento que é um cargo política. Se não for essa palavra que você usou, venda, eu estou procurando outra palavra para justificar — disse Ferreirinha em abril de 2025.

Ferreirinha se referia, na época, a Eder Caxias, atual vereador de cidade de João Pessoa, que foi banido do futebol do STJD em decorrência da Operação Cartola, mas foi nomeado em 2025 analista de campo da CBF em seu lugar. Ele não atuou nenhuma vez na função. Eder é empresário do ramo imobiliário e sua empresa patrocinou os campeonatos paraibanos de todas as categorias por meio da arbitragem, com a empresa estampando a sua marca nas camisas dos árbitros no ano passado.

+ Banido do futebol pelo STJD e absolvido pela Justiça, ex-árbitro assume vaga na Câmara Municipal de João Pessoa como vereador

O blog entrou em contato com Ferreirinha, mas o ex-árbitro e agora integrante do Departamento de Arbitragem da Federação Paraibana de Futebol explicou que não tem autorização para falar sobre o seu ingresso na equipe comandada por Arthur Alves.

“Pedido meu”, diz Arthur Alves

O blog também entrou em contato com o atual diretor do Departamento de Arbitragem da FPF, Arthur Alves, que explicou que fez a solicitação à presidente Michelle Ramalho para que houvesse um novo membro na agora equipe. Ele revelou que foi ele quem escolheu Ferreirinha e que as críticas realizadas pelo novo colega de trabalho são águas passadas.

— O nosso trabalho é muito difícil no departamento e não podemos deixar cair o nível. Então eu estava há algum tempo precisando de um auxílio. Eu escolhi ele para integrar essa equipe comigo. Foi um pedido meu que ele viesse. Ele é um cara que gosta muito de mim e eu gosto muito dele. Ele vai ter funções administrativas e vai analisar muitas partidas e as atuações dos árbitros. Vai ser um auxiliar importante — comentou.

Sobre as queixas de alguns árbitros ao seu trabalho, Arthur relativizou e revelou que a cobrança ao quadro é ancorado aos protocolos da CBF e da Fifa de arbitragem, para que o trabalho possa ser realizado da maneira mais correta, a fim de que as atuações nas partidas sejam as melhores possíveis. Sobre a relação com MIchelle Ramalho, Arthur negou que seja ruim e garantiu que a presidente oferece tudo que a arbitragem paraibana precisa e que teve seu pleito acatado de admitir Ferreirinha.

Vale ressaltar que Arthur Alves é uma espécie de diretor executivo da entidade. E um dos diretorees mais atuantes, por sinal. Inclusive com incumbências para além do trabalho no setor de arbitragem. O que está longe do ideal tanto para o desenvolvimento da arbitragem quanto para a efetividade da gestão da entidade como um todo.

O novo dirigente, Ferreirinha, vai ser apresentado aos árbitros do quadro local nesta segunda-feira como novo integrante do departamento.

Confira mais conteúdos no blogdopedroalves.com

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