O Sousa pode até não ter ainda a tradição e longevidade de clubes como Botafogo-PB, Treze e Campinense, mas quem é o atual bicampeão estadual será sempre um importante postulante ao título do Campeonato Paraibano que vai se aprochegar. Quando isso se constrói também a partir de um presente de melhor estrutura econômica, frente a pelo menos dois dos rivais, citados, os de Campina Grande, o status fica ainda mais cristalino e justo. Mas para 2026, o presidente do Dinossauro, vai ter que ser um tanto mais criativo.
Isso porque o Campinense e, ainda mais, o Serra Branca, forçaram uma reformulação no elenco do Sousa para 2026. Enquanto a Raposa contratou o lateral-esquerdo Jackson e o volante Patrik Dias, o rico Carcará tirou do Sousa jogadores importantes das vitoriosas últimas temporadas alviverdes.
O goleiro Bruno Fuso, o zagueiro Uesles e os atacantes Ian Augusto e Diego Ceará saíram do Sousa e agora vão defender o Serra Branca na temporada do ano que vem. A vitrine é semelhante. Sousa e Serra Branca vão disputar, além do estadual, a Copa do Brasil e a Série D do Campeonato Brasileiro. O Sousa tem, no entanto, a Copa do Nordeste, para jogar, torneio que o Carcará só verá da televisão.
De todo modo, foram movimentações relevantes do mercado interno do futebol paraibano. Certamente o Serra Branca ofereceu salários maiores. Investimento para buscar o título estadual. Perdas significativas para o elenco do Dinossauro, que vai ter que recorrer a substituições que sejam à altura. O que não é fácil.
Mas quem duvida do Sousa? E quem duvida do comandante do departamento de futebol do clube, o seu histórico presidente, Aldeone Abrantes? Eu que não! Mesmo não sendo simples manter um trabalho que foi bicampeão estadual em cima do Botafogo-PB, sendo os dois títulos fora de casa, no jogo da volta, atuando em João Pessoa, no Almeidão. Foi coisa fina!
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Além da regularidade das campanhas nos dois estaduais. Um time sempre sólido defensivamente. Que oscilava ofensivamente, mas que foi suficiente pra o estadual por dois anos seguidos. Embora não tenha sido para alçar voos maiores na Série D. O Sousa perdeu seu goleiro, Bruno Fuso, seu melhor zagueiro da última temporada, Uesles, e o seu artilheiro, maior goleador dos dois últimos estaduais, Diego Ceará. Golpes importantes feitos pelo Serra Branca, um rival direito no Paraibano e na Série D do ano que vem.
Por outro lado, manteve o lateral-direito Iranilson, o zagueiro Marcelo, o volante Hebert, o meia Diego Viana e dois goleiros, Gabriel e João Victor. Além de seu jovem valor, Estêvan. A manutenção de jogadores de uma temporada para a outra foi um trunfo importante nas últimas temporadas. O que ficou mais difícil por conta da saída dos atletas já citados para o Serra Branca.
Na última conversa que tive com o dirigente, perguntei sobre essas perdas e sobre a expectativa dele para a montagem do novo elenco. Aldeone foi curto e grosso — mesmo educado como foi, dessa vez, comigo —. “Nosso time será melhor do que o de 2025”. Em entrevista ao Podcast Futebol da Paraíba, tempos depois, tratou de criticar os atletas que saíram e preferiram novos ares. Disse, sem citar nomes, que vários queriam sair antes e enrolaram o Dinossauro na Série D
Em entrevista ao Globo Esporte, mudou o tom, e disse que o Sousa segue sendo o patinho feio do Campeonato Paraibano, e que outros times são favoritos. Isso é Aldeone. Manejando narrativas, mudando elas de um dia para o outro, às vezes empolgado, às vezes resignado. Quase sempre tutelando uma equipe competitiva.
É Aldeone também a capacidade de se refazer e de manter o Sousa como uma das maiores forças atuais do futebol paraibano. Não vai ser fácil, mas não duvido nada que ele consiga novamente formar um time que chegue ao mata-mata, se aproximando de um novo título. E quem é que duvida?
*Coluna publicada no Jornal A União, na edição do dia 14 de dezembro.