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Berô Paraíba se consolida como o rei do X1 Brazil

Integrante de uma família de jogadores de futebol, Berô Paraíba é irmão de Marcelinho Paraíba, teve rápida passagem como profissional no futebol de campo e agora é estrela do X1.
Berô Paraíba
Foto: Divulgação / X1 Brazil
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Imagine você disputar R$ 1 milhão em um jogo de futebol. Nada mal, não é mesmo? Só que a partida não é de onze contra onze, como é no futebol de campo. Nem mesmo cinco contra cinco como é no futsal. É no um contra um. Cada um com seu goleiro, mas sem nenhum companheiro de linha. Esse é o X1, modalidade que virou febre no Brasil, com jogos sendo assistidos no YouTube por milhares de pessoas, movimentando bastante as redes sociais e, claro, com muita gente indo a ginásios e arenas para acompanhar, torcer e apostar nos seus preferidos. Uma das lendas deste esporte jovem é Berô Paraíba, que neste mês conquistou o sexto título do X1Brazil, um dos maiores eventos da modalidade.

O último confronto, realizado em Belém, no Pará, dia 21 de julho, foi entre duas lendas do X1. Uma disputa entre Paraíba e Pernambuco. Do lado paraibano, Berô. Do lado pernambucano, Daniel Coringa, outro jogador importante da modalidade. Em jogo: um milhão de reais. Que acabou indo para a conta do paraibano, que venceu o adversário por 4 a 2 e se sagrou campeão mais uma vez no evento. O prêmio, claro, foi dividido com o seu goleiro, Samuel, o Samuka.

“Eu e Samuel temos um entrosamento diferenciado. Nos completamos nas partidas. O X1 é um jogo de altos e baixos em questão de segundos e depende também muito do emocional. Samuel é bastante fundamental durante as partidas com suas defesas e me colocando sempre no jogo com os contra-ataques, além de me motivar muito”, analisou o jogador.

Mudança de vida

Berô Paraíba é o nome de artista da bola de Marcelino Silva Santos. Natural de Campina Grande, Berô vem de uma família de jogadores. E não é uma família qualquer do futebol. Berô é irmão de Marcelinho Paraíba, um dos maiores nomes do futebol do estado, com passagens por São Paulo, Gremio, Flamengo, Hertha Berlim e seleção brasileira. Aos 32 anos, Berô já acumula seis títulos do X1 Brazil e é uma lenda da modalidade.

“Fico feliz com a proporção que o X1 já tem. Isso é motivo de muita alegria porque cada vez mais vejo a modalidade mudando a vida de muitas pessoas. Eu, mais do que ninguém, posso afirmar que dá sim para viver do X1 e realizar muitos sonhos através dele. Antes do X1 eu ganhava R$ 200 trabalhando de ajudante de pedreiro por semana. Hoje eu ganho 25 vezes mais por semana”, revela o craque.

Berô nasceu em Campina Grande em uma família pobre, mas preocupada com o futuro do garoto. Aos cinco anos, com medo de que ele pudesse acabar indo para caminhos errados dentro de um centro urbano que é a Rainha da Borborema, os pais levaram a criança para morar em Aroeiras, cidade bem menor, de cerca de 20 mil habitantes.

Do futebol ao X1

Assim como muitos dos jogadores que fazem parte atualmente da construção dessa ainda jovem modalidade, Berô também tentou buscar seu lugar ao sol no futebol profissional. O hoje craque do X1 tentou a sorte na Perilima em 2020, ano em que seu irmão famoso também jogou no clube. Foi uma passagem rápida no futebol profissional, que ainda contou com uma atuação com a camisa do Crato, do Ceará, dois anos depois.

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“Tentei ser jogador profissional, apesar de muitas dificuldades financeiras que eu tinha e da distância das cidades grandes onde se tem mais oportunidades de fazer uma base. Acabei vendo meu sonho ficar cada vez mais distante. Mas em 2020, durante a pandemia, joguei um amistoso contra a Perilima por um time amador. A Perilima disputava o Campeonato Paraibano. Eu fiz um belo jogo nesse dia, e o treinador Eudes Pedro me fez o convite para participar do campeonato naquele ano. Aos 26 anos tive a experiência de ser profissional e foi muito emocionante”, conta o craque do X1, que atuou em duas partidas daquele Estadual pela Águia.

Até que o X1 entrou no caminho de Berô. E a vida do jogador que tanto perseguiu a profissionalização no tradicional futebol de campo mudou drasticamente em forma e conteúdo. Primeiro, porque o esporte que lhe aparecia agora continuava sendo o futebol, mas dependia muito mais de si do que de uma equipe. Em vez de 10 companheiros em campo, era apenas um, o goleiro.

No outro lado do campo, apenas dois empecilhos. O adversário de linha e o goleiro adversário. Em um jogo praticamente sem passes, Berô deu m um grande passo em sua trajetória e se tornou uma lenda do X1, acumulando títulos, glórias, fama, muitos prêmios em dinheiro e jogadas inesquecíveis.

“O X1 chegou na minha vida por vídeos nas redes sociais, mensagens dos amigos de cidades vizinhas e com as provocações, que fazem parte da modalidade De início eu recusei, não dei bola. Eu não via como algo para mim. Mas depois de tanta provocação eu aceitei um jogo, que foi de X2. Apostaram contra mim e meu irmão, jogamos e ganhamos. Depois disso foram surgindo convites para o X1, fui vencendo e se firmando cada vez mais na modalidade. Ser referência é motivo de muita alegria e gratidão em poder ver que todo o esforço e dedicação está sendo recompensado” comentou.

A preparação, aliás, não é nada simples para quem quer ser competitivo nesse esporte. O jogo é intenso e extremamente cansativo. Isso porque não há outra possibilidade de transição de jogo que não seja a partir da intervenção técnica do jogador de linha. Seja com condução de bola, com dribles ou mesmo se projetando com velocidade para receber o passe do goleiro em contra-ataques. No X1, o jogador está sozinho na linha e precisa sempre ser a opção de jogo. O que requer um preparo físico decente.

“Minha preparação física é bem rigorosa. Tenho treinos diários durante dois períodos. É de domingo a domingo. O X1 é um esporte de alto rendimento. Não dá para ficar mais de 24 horas sem se movimentar. Faz parte também da preparação obedecer a uma alimentação rigorosa e dormir cedo. Tem um preço a se pagar para estar no topo”, comentou.

O X1

A X1 Brazil nasceu em 2021 nas comunidades de Recife e se tornou um fenômeno no Nordeste do país. A modalidade atualmente é disputada em um campo de soçaite com um jogador de linha contra o outro. Cada um tem seu goleiro. A partida tem dois tempos de 15 ou 20 minutos cada. O objetivo é fazer gols avançando contra o adversário, sendo proibido o goleiro passar do meio da quadra ou sair da área.

Reportagem publicada originalmente na edição de 2 de agosto do Jornal A União.

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