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GERAL ABERTA

Campanha do Treze por sócios é grande ideia econômica e de marketing, mas ainda não “pegou”

Campanha do Treze para chegar a 5 mil sócios e liberar a Arquibancada Sol gratuitamente para o torcedor durante o Paraibano é uma das melhores ideias que vi no estado. Confira a análise.
Treze
Foto: Daniel Vieira
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O Treze lançou uma das campanhas de marketing mais interessantes que vi no futebol paraibano. Caso o clube consiga chegar a 5 mil sócios-torcedores, a Arquibancada Sol, a tradicional Geral, do Estádio Amigão, estará aberta para todo o Campeonato Paraibano do ano que vem de forma gratuita. A ideia é ótima enquanto marketing e enquanto pretenso resultado econômico. Pena que ainda não “pegou”. E isso também tem explicações. Mas vamos primeiro aos cálculos.

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Na matemática aqui, eu peguei o valor intermediário dos planos de sócios, que é o plano “Galo Forte”, que custa R$ 50 mensais, durante quatro meses. Se o clube chegasse a 5 mil sócios só dessa modalidade, por exemplo, iria arrecadar R$ 1 milhão no período, dos associados. Se pegarmos toda a renda bruta dos jogos do Campeonato Paraibano deste ano, o Galo, que teve o mando de campo do clássico contra o Botafogo-PB na 1ª fase e ainda pegou o Belo na semifinal, arrecadou R$ 413.161 nos cinco jogos que fez como mandante no torneio. Nessa comparação, entre a perspectiva da campanha proposta e a realidade apenas das rendas de jogos sem ter um setor que não seja gratuito, percebe-se que já valeria a pena abrir mão da arrecadação de um setor inteiro em detrimento de um bom montante de receita previsível dos associados.

Mas podemos ser um pouco mais otimistas com a arrecadação tradicional dos jogos. Se o Treze avançasse para a final e conseguisse uma renda bruta na decisão da ordem de R$ 600 mil, mais ou menos, como o Botafogo-PB conseguiu neste ano na final contra o Sousa, o valor meio que chegaria ao mesmo R$ 1 milhão do que seria arrecadado pela campanha de 5 mil sócios, mas com a Arquibancada Geral aberta para todo torcedor no estadual.

Vale lembrar que, mesmo que a campanha dê certo, o clube seguirá arrecadando por jogo, visto que a Arquibancada Sombra e as Cadeiras vão seguir gerando receitas. Será menos do que em 2025, evidentemente, mas não será zero a renda bruta de cada jogo. Assim como vale lembrar também que as previsões dos cálculos aqui foram de um cenário otimista da arrecadação tradicional por venda de ingressos. O clube, por exemplo, pode arrecadar menos do que esses R$ 413 mil de 2025, caso o time não avance para o mata-mata. É possível. É sempre uma aposta porque vai depender da bola.

Para além disso, existe também o ganho em outras frentes, mais difíceis de mensurar de maneira exata, mas com ganhos reais. Primeiro é a aproximação entre clube e torcida. O gesto feito já é uma boa busca de estreitar os laços, algo fundamentalmente importante para qualquer gestão de time de massa.

Se a ideia é abraçada, o financiamento do clube passa a ser quase que inteiro do torcedor, o que faz com que o adepto se sinta parte da construção da gestão. E aí cabe a ela ser profissional, transparente e acertar o máximo possível. Muitos erros, por outro lado, provavelmente vão inevitavelmente desatar esse nó, porque o torcedor, de maneira justa, vai ver que só ele estará fazendo a sua parte. Mas é aquele eterno risco que vale a pena, ao meu ver, correr. Até porque, mesmo sem isso, se a gestão for ruim, a crítica da torcida, mesmo a ausente, existirá. E isso sempre será legítimo. É do jogo.  

Além disso, manter a vantagem proposta dentro da mesma seara, ou seja, abrir a Arquibancada Sol para mais torcedores, caso outra parte dessa massa ajude fortemente no financiamento do clube, é uma política voltada inteiramente para o torcedor trezeano. Sem intermediação. É um abraço de torcedor com torcedor, guiado pela institucionalidade do clube.

Buscar esse abraço acaba potencializando as receitas futuras. Se o clube tem 5 mil sócios e ainda dá uma condição de outros torcedores irem ao Amigão sem pagar, a chance de aumentar a média de público é grande. Isso, por si só, já é um ativo, que pode ser utilizado para se fazer mais receitas com patrocínios, por exemplo. E, se mais pessoas estão vivendo o clube e indo a jogos, mais chance delas serem consumidoras de outros produtos e até de se associarem. É o clube sendo o principal indutor do movimento econômico da sua demanda. Que é justamente a missão de uma gestão de futebol.

É como se fosse uma forma de incluir mais gente na cadeia. Com um colchão de segurança financeira produzido pelos sócios e com uma política de chamamento dos simpatizantes, aquela massa que se reconhece trezeana, mas não vai tanto a jogo por não ser fanático por futebol ou pelo clube, ou que, eventualmente, divida o coração com outro time do eixo.

Time em campo sempre será termômetro

Apesar da teoria bem feita, o fato é que a campanha ainda não “pegou”. Para se ter uma ideia, o Campinense, que só vai disputar o Campeonato Paraibano no ano que vem e quase nada tem a oferecer para o seu torcedor em termos de bola, até aqui, tem mais sócios do que o Galo: 723 a 574. Os dois rivais já anunciaram seus novos planos de sócio, visando a temporada de 2026. E aí podemos refletir sobre alguns aspectos.

A análise mais básica é que o Treze está longe de viver seu melhor momento na história. O Galo está na Quarta Divisão, vai jogar o estadual e a Série D apenas em 2026, com adversários locais, sendo um rival, em condições melhores em termos de calendário e na estrutura financeira, a exemplo de Botafogo-PB, Serra Branca e Sousa, e vem de uma crise institucional em alguns níveis.

Atravessa um momento de incertezas econômicas, com uma Recuperação Judicial na porta e vários credores irredutíveis quanto a uma diminuição substancial do passivo trabalhista da instituição, algo que o Galo busca e não vem conseguindo. Tudo fruto de gestões ruins, na melhor das hipóteses, sob a perspectiva financeira. Sem contar os dissabores técnicos, resultado de toda essa problemática.

Entra na conta ainda a renúncia do ex-presidente Artur Bolinha nos últimos meses, o fracasso da temporada passada e uma certa dificuldade de alguém assumir o clube por conta de todo esse cenário. É um cenário trôpego, que desmobiliza o torcedor, que em geral, só quer torcer na vitória. E, não tem para onde, quem vive futebol sabe que toda receita é exponencial quando a bola entra, enquanto tudo é mais custoso para os cofres quando o gramado não funciona.

No entanto, algumas escolhas podem ter sido um tanto pretensiosas demais. Talvez 5 mil sócios antes do Campeonato Paraibano 2026 tenha sido uma meta grande demais, diante, sobretudo, dessas circunstâncias atuais. O Galo jamais teve esse número de sócios em dia, nem em momentos melhores da sua história, estando em séries superiores, por exemplo, e com times que agradavam em campo.

Outro ponto que me parece óbvio é que faltou no plano de sócios e de marketing uma modalidade popular, mais barata, que, por mais que não desse tantas vantagens e gerasse as maiores receitas, seria, certamente, uma categoria que iria conseguir produzir um montante maior de sócios na perspectiva de atingir a meta e de não fracassar na campanha.

O rival, Campinense, por exemplo, oferece um plano de R$ 9,90 mensais. Inclusive, a Raposa só tem essa modalidade, a popular. O que se explica porque o clube tem apenas, em termos de futebol, o estadual do ano que vem para oferecer ao seu torcedor. De todo modo, uma categoria mais popular é fundamental para uma busca de qualquer meta alta de quantidade de sócios na Paraíba. Sem isso, 5 mil até o Paraibano vai ser bem complicado. Eu diria que beira ao impossível. Mas pode dar certo se a bola entrar mais vezes do que a dos rivais durante estadual.

É claro que, se a meta fosse diminuída, o “ticket médio” do sócio também baixaria, e o montante alcançado seria menor do que R$ 1 milhão muito provavelmente. Ainda assim, seria uma receita previsível bem considerável, por quatro meses, o que daria uma segurança econômica. E nada impediria de, com a campanha dando mais certo do que atualmente, o valor milionário fosse buscado. Mas com a certeza de que a meta estabelecida pelo clube havia sido cumprida, o que seria uma agenda positiva.

Outro ponto é que eu tenho sérias dúvidas se a ideia de fazer com que o plano de pagamento e, portanto, de direitos, se limite ao Campeonato Paraibano, durando quatro meses, tenha sido a melhor estratégia. O Treze já sabe que vai disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. Então tem mais do que o estadual para oferecer no seu cardápio. Tem mais jogos para entregar de maneira gratuita para o associado e, com isso, ter uma receita previsível por mais tempo.

Daria tranquilamente para oferecer toda a temporada gratuita para o sócio e a Arquibancada Sol aberta apenas no Paraibano. Preferiu limitar tudo ao estadual. Não sei se foi a melhor sacada. Deu a entender que vai fazer um novo plano de sócios para a Série D. Passou essa mensagem. Não me parece a melhor ideia. Vamos ver! Por ora, são muitos mais acertos do que erros na ideia. Mas no futebol, o futebol é quem dita o “sucesso” das ideias. Mesmo quando elas já nascem boas.

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