É difícil para o torcedor do Campinense não viver dias de frustração, após a queda nos pênaltis, em casa, no Amigão, na semifinal do Campeonato Paraibano 2026, diante do Sousa. E é importante viver o luto. Mas acontece que, analisando friamente, o Estadual da Raposa serviu para o clube sair de uma temporada atual em que já está de férias em março, para um 2027 pelo menos promissor, e com a certeza de que vai disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. Um retorno ao cenário nacional.
É por isso que, distante das emoções da arquibancada, a campanha da Raposa foi, no fim das contas, boa. Ponto para a gestão do presidente Flávio Torreão, para o treinador Evaristo Piza, e, claro, para os seus comandados, que entregam a Raposa com um 2027 com condição de o clube ter um poder de barganha para a montagem de elenco um pouco maior, oferecendo contratos mais longos para atletas.
A coisa poderia ser pior. O Campinense vai para o seu terceiro ano seguido sem série. Poderia, por exemplo, emplacar o quarto. O que seria um grande prejuízo financeiro, instituicional e sentimental para seus torcedores e simpatizantes.
Ainda falta um rumo para além do futebol
Mas futebol não é só quatro linhas, ainda que tudo é feito para convergir nos 90 minutos de cada partida. É importante que a gestão do Campinense comece urgentemente a construir soluções em aspectos de fora do gramado, mas que pode facilitar ou dificultar a vida de quem faz o futebol.
No ponto de vista jurídico, por exemplo, o Campinense teve uma notícia nada boa nas últimas semanas. O juiz Eduardo Souto Maior, por ato de ofício, acabou por entender que a Raposa não tem contribuído para a saúde de uma importante concentração de processos trabalhistas em um único processo. Com a mudança de modalidade agora, a Raposa, que tinha uma certa previsibilidade sobre valores que eram retirados do fluxo de caixa para abater dívidas, não tem mais isso.
Agora, o clube pode novamente receber processos de várias varas do Trabalho do país e ter decisões de todo lugar do Brasil que acabe sufocando receitas de qualquer ordem, retendo elas, por exemplo, na fonte. Seja qual for a fonte. Isso aconteceu porque o juízo entende que o acordo anterior está inviável para que o clube consiga diminuir seus passivos. Além disso, é possível que, novamente, o patrimônio seja alvo de penhora. O clube recorreu da decisão.
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Outra agenda negativa para a gestão recente foi em relação ao patrocínio do Governo do Estado, por meio do Detran-PB. O clube simplesmente não se inscreveu no edital para buscar receber uma receita que poderia ajudar no planejamento financeiro, inclusive com o objetivo de não contrair mais passivos trabalhistas. Isso porque o clube atualmente não consegue oferecer toda a documentação necessária para ser contemplado com o patrocínio.
O Campinense, por exemplo, não vem diminuindo suas dívidas trabalhistas de maneira substancial. Sequer tem no norte uma Recuperação Judicial, para poder negociar as dívidas, oferecer um plano de pagamentos e, com isso, apresentar propostas para poder pagar menores valores. Ninguém disse que é fácil resolver tudo isso. Mas inevitavelmente é necessário. Não se vive no futebol atual só de sucessos no campo. Até porque eles nem sempre virão. E muito menos virão sem capacidade de investimentos, que só pode surgir a partir de possibilidades de receitas e diminuição de despesas.
No futebol, clube já age por 2027
Se fora das quatro linhas, o clube ainda precisa urgentemente se planejar e executar políticas fundamentais para se sanar financeiramente, fora dele, a gestão de Flávio Torreão já busca agir para formatar uma base técnica para o ano que vem. O primeiro grande objetivo está traçado, e vejo como acerto. Manter Evaristo Piza é justo, após o treinador conseguir classificar a Raposa para a Série D do ano que vem, além de uma boa análise para buscar ser competitivo.
Piza pode ser um ativo para convencer atletas para renovações, além de ser um grande gestor de vestiário. Como sou adepto de tempo de trabalho, a tendência é de um Campinense, caso mantenha uma base, com o mesmo técnico, ainda mais forte no ano que vem.
A manutenção do treinador, no entanto, não é bem uma certeza. Isso porque Evaristo Piza não vai ficar sem trabalhar no restante da temporada. E o Campinense nem tem condições econômicas para renovar agora e propor isso. O técnico já tem propostas, uma delas do Sergipe, e deve ir para outro mundo em breve.
E aí ele não será mais técnico do Campinense, mesmo que as partes, diretoria e técnico, garantam que há um acordo verbal para a volta. Mas daqui para lá os ventos do futebol movimentam muitos moinhos. Piza pode terminar o ano em baixa, mas pode encerrar a temporada em alta no mercado. Com propostas melhores do que a da Raposa para 2027. Certezas no futebol só com contrato assinado.