Demorou, mas o Botafogo-PB, enfim, fechou acordo com dois patrocinadores para a temporada. A empresa nacional Cimed, farmacêutica que já investe no mercado de futebol, sendo patrocinador atual do Palmeiras, e a Setai, construtora paraibana, são as novas marcas a apoiar o Belo em 2026. Segundo apuração do blog, cada empresa fechou um contrato de R$ 30 mil mensais para o ano.
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O acordo, portanto, gira em torno R$ 360 mil, cada, para a temporada, totalizando R$ 720 mil no ano, a soma dos contratos. O Botafogo-PB, de acordo com o dono da SAF, Fillipe Félix, quer uma receita oriunda de patrocínios de R$ 500 mil por mês. Uma meta ousada para um time do futebol paraibano que disputa a Série C do Campeonato Brasileiro.
Valor de mercado
Os valores dos acertos do clube com as duas empresas estão em um valor verossímil com o mercado para um clube de Série C. Uma das empresas vai figurar na camisa de jogo do clube no ombro, enquanto que a outra vai estar no centro da camisa, ao lado do escudo. São acordos de valores consideravelmente menores do que o patrocínio master, que o clube ainda busca no mercado.
Responsabilidade da imprensa
Antes do acordo, no entanto, houve grande expectativa sobre os valores. Alguns veículos e membros de imprensa alardearam que seriam valores milionários. Dentro de uma perspectiva de mercado, era improvável uma farmacêutica, mesmo que grande empresa nacional, e uma construtora local, mesmo que bastante rica, figurar como patrocinadora master, em uma realidade atual em que cerca de 70% do futebol brasileiro (considerando as três principais séries) é financiado por sites de aposta, as famosas bets, que detém um capital maior e maior fluxo de caixa, como patrocinadores master.
Cabe a imprensa, para além de se informar com fontes oficiais e necessariamente acreditar nelas ou achar que está se informando com fontes que não merecem a confiança, compreender os contextos sobre a pauta também. Como explicado acima, era bastante improvável, pela lógica de mercado, os acordos serem com valores tão vultuosos. Mesmo que fosse possível, no fim das contas, uma parcela da imprensa tratou sobre valores que nunca condisseram com a realidade.
Se a imprensa, a partir de seus espaços de narrativa, cria, mesmo que involuntariamente e sem má intenção, expectativas que não fazem sentido, os torcedores embarcam e passam a cobrar do seu clube algo que não dá para entregar por ora. Isso, portanto, é fomentar uma injustiça. E, evidentemente, não é legal. Sobretudo se essa expectativa não tenha sido criada pela instituição, por exemplo, que acabaria sendo vítima de algo que não produziu.
Se o dirigente do clube é empolgado, promete coisas inverossímeis, e depois não entrega por motivos óbvios, decepcionando o torcedor, aí é com o clube e o torcedor. Quando a imprensa faz isso também, pouca moral ela tem para analisar os dirigentes como agentes que querem iludir o torcedor, mesmo que a análise seja correta. E a imprensa não pode ser igual aos dirigentes.