Eu tenho que confessar. A tal Copa Paraíba, prometida pela FPF que vai ser realizada novamente em 2026, ainda me agonia sempre que vejo uma notícia a ela vinculada. O torneio já tem data, clubes participantes definidos, mas para mim ainda é uma grande zona cinzenta. Por algumas razões. Mas vamos primeiro às últimas notícias sobre a competição, mesmo que indiretamente.
O comichão no cérebro dessa vez veio com algo que, a princípio, não tem nada a ver com o campeonato. Até tem. Mas o noticiário não é sobre ela. É que o Treze, dias depois da sua eliminação na Série D do Campeonato Brasileiro, já começou a pensar em 2027. Ou em 2026. Enfim… também em 2027. O clube renovou com alguns atletas, com o seu treinador, Adriano Souza, numa política que julgo acertada. É sempre importante manter uma base de um ano para outro.
Em que se pese que o Galo já não tinha aquele jogador diferente no elenco que buscou o acesso na Série D, mas que, pelo menos, conseguiu garantir o clube na Quarta Divisão do ano que vem, afastando a sina de ser fora de série. Realmente, ao Treze ainda falta jogadores diferenciados. E quando falo diferenciados é numa perspectiva de Paraibano/Série D mesmo. Não é uma constatação para não lidar com a realidade em que o clube está inserido.
De todo modo, as renovações dos zagueiros John Lessa e Matheus Barbosa, do atacante Dioran, do meia Giovane Mário, dos laterais-esquerdos Carlos Henrique e Luan Freire e do lateral-direito Wendell Lessa se não empolgam tanto assim, por questões técnicas, significa a preservação de uma espinha dorsal, de atletas que já conhecem o treinador Adriano, e que detêm a confiança do técnico. Uma queima de etapas que eu sempre acho importante para um início de temporada.
A eles se juntam o volante Marquinhos e goleiro Erivelton, esses sim elementos de destaque na temporada e que devem ter ouriçado um pouco mais a torcida alvinegra. Acontece que as renovações, mesmo em um eventual fim de temporada, é algo normal e importante para quem pensa só no outro ano. Se firma compromissos com atletas, mesmo que eles sejam emprestados até o fim da temporada atual. Tão logo acaba o ano futebolístico, o clube já tem vários atletas contratados. É sempre bom.
Acontece que o Treze tem a Copa Paraíba ainda neste ano. Pelo menos em tese. E o clube já contratou atletas, para além das renovações. Durante a última semana anunciou o goleiro Arthur e o meia Vitinho. Vínculos pensando na Copa Paraíba, sem dúvidas. Agora chega a minha agonia. Quem garante que a Copa Paraíba vai acontecer? A pergunta é retórica, mas a resposta existe. A FPF. E quem confia? Ao que parece todos os seis “classificados”. Acontece que só o Treze começou a se organizar para o torneio. Até aqui só o Galo contratou para a competição.
E aí retomo a discussão que já trouxe aqui e no meu blog. Quem garante que o torneio vai ocorrer? E se algum clube desistir? Como já falei, de acordo com o Manual de Competições da CBF, antigo Regulamento Geral de Competições, o famoso RGC, um torneio seletivo — caso da Copa Paraíba — para ser legítimo para oferecer vagas em competições nacionais precisa ser disputado por no mínimo seis clubes, sendo três times, também no mínimo, da 1ª divisão do Estadual.
A FPF — a meu ver correndo um risco desnecessário — decidiu que apenas os seis clubes que não foram finalistas do Paraibano 2026 e não caíram de divisão no estadual deste ano estão aptos para jogar o torneio. Ou seja, bastaria uma desistência para que o campeonato não fosse legitimo para o seu fim, que é dar uma vaga na Copa do Brasil de 2027.
Pois bem, em nome de quê o Campinense, maior rival do Galo, por sinal, vai jogar essa competição? Se uma vaga na Copa do Brasil 2027, de certo modo, já é dele? Caso a competição não aconteça é justamente o Campinense, como terceiro colocado do Campeonato Paraibano deste ano, que herdaria a terceira vaga na Copa do Brasil. As outras duas são de Botafogo-PB e Sousa, finalistas do Paraibano 2026.
A Raposa vem publicamente afirmando que vai disputar o torneio. Mesmo com a dificuldade financeira atual, tendo que arrumar a casa, atravessando até pouco tempo uma crise política. Por que investir ainda mais, montar um novo elenco, possivelmente contrair mais dívidas, se a competição é uma grande incerteza? E se, repito, em caso de a Copa Paríba não ser disputada, uma vaga na Copa do Brasil recair nas suas mãos?
A Federação Paraibana de Futebol tem a certeza de que nenhum dos seus filiados com direito de jogar a competição vai abrir mão disso. Era melhor ter feito uma definição mais inteligente sobre o torneio do que se basear na fé. Ou é só viagem minha tudo isso?
Coluna publicada originalmente na edição de 9 de agosto de 2026 do Jornal A União