Após mais uma derrota na Série C do Campeonato Brasileira, dessa vez para o Ituano, igualando a pior sequência de derrotas do clube na história da Terceirona — a primeira foi em 2017 —, o dono da SAF do Botafogo-PB, Fillipe Félix, anunciou que a próxima partida do Belo no torneio, diante do Maringá, marcada para o próximo sábado, terá portões abertos.
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Quem quiser entrar no jogo basta levar 1 kg de alimento não perecível que entra nas arquibancadas do Almeidão. Apesar disso, realmente atrair público e deixar o evento com um caráter popular, atraindo mais pessoas para o estádio, o que eu acho ótimo, visto que vivermos uma triste elitização do movimento cultural futebol, isso não é permitido. O que, obviamente, também faz sentido, afinal estamos falando do futebol profissional, que precisa gerar receitas, para que uma cadeia de produção seja sustentada.
Na prática, o Manual de Competições da CBF 2026 veda que partidas sejam realizadas de portões abertos, sem cobrança de ingressos. Além disso, o Regulamento Específico da Série C do Campeonato estipula qual deve ser o menor valor praticado pelo clube nas vendas de ingressos para cada partida da competição, que é de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Que, por sinal, são valores bem populares.
Mora na filosofia
Para além da questão econômica, citada anteriormente, de fazer com que as partidas profissionais, que já dispõem de despesas garantidas em cada operação de jogo, que são deduzidas justamente das rendas dos jogos, tenham sempre ingressos vendidos, fomentando uma cadeia de produção, a proibição de que partidas aconteçam com portões abertos tem a ver também com uma questão filosófica em termos de competição.

É realmente importante, numa perspectiva de campeonatos, que haja a famosa isonomia, ou uma busca perene de condições de igualdade, ainda que possivelmente não seja conseguida plenamente. Se um clube abre portões e outro não abre, há uma notável mudança de cenário entre as partidas. Jogos que teriam um público menor poderiam ter um público muito maior. É até discutível a questão de que o clube que abre portão, mesmo com maior público, passa a ter prejuízo na operação do jogo, e perde dinheiro com isso, o que seria um contrapeso da escolha.
De todo modo, haveria uma mudança de ambiente caso alguns clubes fizessem e outros não. E vejo como uma compreensão correta do organizador das competições, no caso a CBF, obrigar que todos os clubes ajam da mesma maneira nas operações dos jogos, vendendo ingressos a, pelo menos, um valor mínimo definido.
Má fase
A decisão do Botafogo-PB acontece diante de uma má fase do clube na Série C. Apesar de, com “portões abertos”, abrir mão da renda e garantir um inevitável prejuízo na operação do jogo que vem, contra o Maringá, o clube vai atrás de mobilizar o torcedor, que já está revoltado com a situação atual, de um Belo que está na 18ª posição na Série C, amargando uma sequência de seis derrotas seguidas. A tendência era de um público bem ruim. De um afastamento. O que, obviamente, não é bom para o clube. O ingresso “de graça” busca essa aproximação.
Jeitinho brasileiro
No fim das contas, o clube provavelmente vai dar um “jeitinho brasileiro” para tentar escapar de alguma punição administrativa, que pode ter sanções de multa, portanto, financeira, caso seja denunciado por descumprir dois regulamentos da CBF.

Os caminhos são registrar que todos os ingressos que vão ser emitidos, dados aos torcedores e que não vão ser cobrados como gratuidades. É uma das possibilidades do clube, afinal, realmente, todos os times mandantes podem dar gratuidades para dirigentes e autoridades, por exemplo. E, de fato, a quantidade de gratuidades que podem ser dadas por qualquer clube não é bem definida em nenhum regulamento da CBF.
De todo modo, é imperativo e obrigação do clube vender ingressos para esta partida. Isso porque o torcedor tem direito de adquirir ingressos via transação financeira, de acordo com a Lei Geral do Esporte, que substitui o Estatuto do Torcedor, que já previa isso. É um direito do torcedor.
Outra possibilidade é o clube mesmo subsidiar os ingressos. Comprar uma carga de ingressos que forem vendidos que bem entender, colocar a grana na operação do jogo, como receita obtida na partida, que vai ter que entrar no boletim financeiro da partida, e entregar os ingressos para seus torcedores de graça. As práticas, que já foram realizadas por outros clubes no futebol brasileiro, no entanto, não garantem que o clube não seja denunciado e, eventualmente, punido.