A chance de termos um conterrâneo na Copa do Mundo do ano que vem, que terá organização compartilhada por México, Canadá e Estados Unidos, é consideravelmente grande. Ou melhor, é real a possibilidades de que dois paraibanos integrem a lista derradeira de convocação antes do Mundial. Um paraibano, eu diria que é quase certo, sob o ponto de vista técnico, ressalvadas, claro, as possibilidades trágicas de cortes por conta de lesões.
Os nomes da vez são o meia-atacante Matheus Cunha, do Manchester United. Corre, ora por dentro, ora por fora, na ala esquerda, o lateral Douglas Santos, do Zenit. O avançado que tenta brilhar em um time ainda problemático como o dos Diabos Vermelhos, e muitas vezes consegue, é um nome especial para Ancelotti, já dá para parceber.
Eu diria que ele é titular do onze ideal do técnico italiano, pelo menos neste momento. Nos dois últimos amistosos, foi titular, diante de Senegal e Tunísia, jogando muito bem contra o time senagalês e atuando discretamente diante dos tunisianos. Jogando atrás de um centroavante, que normalmente é móvel, como Rodrygo, ele se movimenta muito em sintonia com o companheiro para tentar despistar os adversários.
O paraibano de João Pessoa tem se mostrado também um bom garçom, um construtor de jogadas, versatilidade que é sempre bem vista pelos comandantes. Antes, na Suíça e na Alemanha, Matheus se constituía mais limitado a um centroavante, embora sempre móvel e com boa intensidade de jogo. Agora se mostra também como arco, não só flecha. Titular nos últimos jogos, com o ciclo já se fechando e atuando em alto nível na mais disputada competição nacional do mundo, Matheus não é só um nome forte para figurar na última lista, mas um rosto provável que deve embarcar para a sua primeira Copa do Mundo.
O outro paraibano, também de João Pessoa, corre por fora. E no seu caso, muito mais por uma espécie falta de grandes nomes da posição, do que por viver uma grande fase da sua carreira. Ao seu favor, Douglas Santos, que foi testado nesse fim de ciclo por Ancelotti, teve uma atuação segura, de razoável para boa, diante do Chile ainda nas Eliminatórias, sem muito intervir ofensivamente nos jogos, mas também sem comprometer.
O ponto de preocupação é que essa posição é completamente aberta. Em todo o seu período à frente da Seleção Brasileira, já numa espécie de fim do ciclo para a próxima Copa, Carleto convocou quatro laterais-esquerdo: Douglas, Caio Henrique, Carlos Augusto, Alex Sandro e Luciano Juba. Apenas o lateral do Bahia não foi utilizado. Todos os outros foram observados e disputam uma das duas vagas na posição para a próxima Copa do Mundo.
Índio, Júnior, Mazinho e Hulk
Se Ancelotti convocar os dois será a primeira vez que um elenco brasileiro terá dois paraibanos simultaneamente na Copa do Mundo. Até hoje na história, foram quatro paraibanos que disputaram a maior competição de seleções que temos. Hulk, de Campina Grande, esteve na edição fatídica de 2014, no Brasil. Sem brilho, o atacante até foi titular, mas pouco ajudou. E ainda entrou em campo naquele 7 a 1 diante da Alemanha.
O primeiro, no entanto, foi o atacante Índio, um dos maiores goleadores da história do Flamengo e ídolo do Rubro-Negro. Ele disputou a Copa do Mundo em 1954, mas foi reserva do time brasileiro. O único campeão mundial da Paraíba é o meia Mazinho, de Santa Rita, que foi peça fundamental de uma engrenagem de guerreiros que conseguiram fazer as estrelas Bebeto e Romário resolverem os jogos em 1994 para todo o grupo entrar na história como tetracampeões.
Um pouco antes disso teve o pessoense Júnior. Embora tenha participado também de uma edição trágica para o Brasil, o paraibano fez parte do famoso e admirado “Brasil de 82”. Na Copa da Espanha, fez gol, participou de belos lances e construiu uma das seleções mais maravilhosas da história do futebol. Que acabou eliminada para Itália naquele jogo que nunca acabou para o futebol brasileiro e para toda uma geração. Foi a seleção que ganhou o mundo sem vencer.
Mas isso já foi, e o brasileiro quer mesmo é um time que vença sem ganhar o coração de ninguém. Ancelotti precisa conquistar a taça do Mundial para evitar que seja registrado o maior jejum brasileiro em copas. Se isso acontecer com dois paraibanos no time, melhor ainda.