Nenê é jogador do Botafogo-PB. O atleta foi anunciado pelo clube na noite dessa sexta-feira, algumas horas depois do escriba, que não pôde postar no blog porque estava trabalhando, ter publicado o acerto nas redes sociais, no velho Twitter, hoje X. Com a confirmação, paira uma dúvida interessante. Seria Nenê, aos 44 anos, após uma carreira magnífica e invejável, tanto dentro quanto fora do país, a maior contratação da história do clube? O debate é bom. E complexo.
Eu consigo evocar apenas dois nomes para tentar bater o jogador, que brilhou com as camisas do Vasco da Gama e do PSG, e que passou quase sempre bem em diversos clubes brasileiros e de fora, como São Paulo, Mônaco, Santos, Fluminense, Mallorca, entre outros, e, por último, no Juventude. Apenas Geovani e Warley podem bater o próximo camisa 10 do Belo.
Então vamos aos números e comparações. Warley e Giovani têm um a coisa na carreira que Nenê não tem: convocações para a seleção principal. Warley, que até virou ídolo do Botafogo-PB, tem quatro convocações, tendo chegado a jogar uma Copa das Confederações, em 1999. Já Geovani teve 23 convocações. Superando até o atacante Warley. Jogou e ganhou uma Copa América. Tudo isso depois de brilhar em seleções de base, conquistando a prata olímpica em Seul e a Copa do Mundo Sub-20, tendo ganho a bola de ouro do torneio.

Falando ainda do ex-centroavante botafoguense, Warley teve títulos importantes, como o da Copa do Brasil, pelo Grêmio. Vestiu a camisa e foi titular do São Paulo e do Palmeiras. Foi relevante, mas não um grande protagonista desses clubes.
E aí é que voltamos para Geovani. O meia do Vasco virou ídolo do clube carioca. Foi protagonista de um momento bom do time cruzmaltino. Em São Januário, Geovani conquistou cinco Campeonatos Cariocas(1982, 1987, 1988, 1992 e 1993), disputou 408 jogos e marcou 50 gols. Foi vice-campeão brasileiro em 1984. Por pouco não foi campeão nacional em 1989, porque acabou se transferindo para o Bolonha da Itália naquela temporada.
É nesse ponto que Geovani se diferencia em alguns sentidos em relação a Nenê e Warley. Geovani foi ídolo de um dos maiores clubes brasileiros, coisa que Warley não foi. Já Nenê foi. Do mesmo Vasco, por sinal. Acontece que Nenê foi ídolo em um tempo, recente por sinal, de profunda decadência do Vasco no cenário nacional, na elite do futebol brasileiro. Aliás, Nenê jogou até uma Série B pelo clube.
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De modo que Nenê virou ídolo no clube em um momento de ausência de protagonismo do time cruzmaltino. Em que o próprio Nenê era, de longe, muito melhor do que seus companheiros. Viveu em um momento de certa carência para o torcedor. É claro que ele jogou muita bola. A relativização aqui não é sobre isso. Mas sobre as circunstâncias que se apresentaram para Nenê, que foram diferentes das de Geovani. O meia capixaba acabou sendo mais importante na história do Vasco do que Nenê. E é mais ídolo, na visão do blog.
Outra coisa que pesa um pouco contra Nenê na comparação com Geovani é que o novo jogador do Botafogo-PB não teve carreira na seleção principal. Ele nunca foi convocado. Apesar de ter merecido e ficado perto de integrar listas. Mas não aconteceu. Só figurou em convocatórias na base.
A favor de Nenê tem uma trajetória fora do país consideravelmente melhor do que a de Geovani. O novo meia botafoguense teve uma grande passagem pelo PSG. Virou ídolo do clube parisiense, em uma época que o clube não era rico como é hoje, mas em um momento em que o time já era um dos protagonistas do futebol francês. Tanto que Nenê conquistou uma Liga 1, na temporada 2012-2013. O jogador ainda teve relevância no Mônaco. E acumulou passagens no Espanyol, no West Ham, no Alavés, Celta de Vigo, entre outros clubes.

Como o leitor pode ver, o debate não é simples sobre qual é a maior contratação da história do Botafogo-PB, no sentido do maior jogador que o clube foi atrás de contratar e conseguiu. Mas, para não ficar em cima do muro, eu, diante de tudo o que foi exposto, fico com Giovane, que atuou na temporada de 1996 pelo Belo, tendo disputado apenas o estadual. Já Warley jogou nas temporadas de 2013, 2014, 2016 e 2017. Com a camisa do Belo, de longe, é mais relevante, tendo sido campeão paraibano em 2013, 2014 e 2017, e brasileiro, da Série D, em 2013. Em 2026 o lápis estará com Nenê.
Movimento de mercado
De todo modo, Nenê é uma das maiores contratações da história botafoguense. E do futebol paraibano. Mas existe um outro debate interessante que, mais uma vez, eu acho que Nenê acaba perdendo na comparação. Vou explicar!
Warley e Geovani quando chegaram ao Botafogo-PB estavam em fim de carreira. Até aí, igual a Nenê. Mas diferente do recém-contratado botafoguense, os jogadores já estavam em mercados mais marginais do futebol brasileiro. Warley chegou ao Belo depois de passagens por Treze e Campinense. Ambos estavam na Série D naquela época.
Já Geovani não tinha ido tão bem no Vasco em 1995 e estava, antes de desembarcar em João Pessoa, no XV de Jaú, que disputou o Campeonato Paulista em 1996. Com Geovani, o clube caiu de divisão no estadual. Ou seja, Geovani já não tinha o mercado de outrora. É nesse contexto que ele acerta para jogar o Campeonato Paraibano de 1996 pelo Botafogo-PB. Foi bem no Belo, mas acabou não conseguindo levar o clube ao título, sucumbindo, no entanto, no triangular final, chegando próximo da taça.
Nenê, diferente dos dois, chega ao Belo oriundo da Série A do Campeonato Brasileiro. Ou da Série B. Isso porque a última competição que o meia disputou foi a elite de 2025. Mas o seu clube, o Juventude, caiu de divisão. Ou seja, se ficasse no clube, Nenê seria um jogador de Série B em 2026. É, no entanto, em um contexto de mercado bem diferente dos casos de Warley e Geovani que o Botafogo-PB consegue a contratação de Nenê, que provavelmente teria grande mercado de Série B ainda, mas preferiu atuar pelo Belo, que neste ano disputará a Série C.
Se nesse sentido Nenê bate Warley e Geovani, ele não consegue, ao meu ver, bater Léo Moura. A contratação do ex-lateral-direito do Flamengo, para mim, segue sendo a maior movimentação de mercado da história do Botafogo-PB. Em 2020, Léo chegou ao Belo após uma temporada no Grêmio. Em 2019, o jogador estava, portanto, na Série A. E, mais do que isso, em um clube pelo qual ele atuou na Libertadores, naquele ano de 2019. E em um time que terminou na quarta posição do Campeonato Brasileiro. Um espaço de mercado consideravelmente diferente do atual Juventude, onde estava Nenê.
Apesar de nas comparações, pelo menos na opinião deste escriba, Nenê não ter batido os concorrentes, o fato é que o Botafogo-PB conseguiu contratar um dos grandes jogadores brasileiros deste século no futebol brasileiro. É sem dúvidas uma das maiores contratações da história do futebol do estado e do clube. Agora é com Nenê. Ele tem tudo para ser um dos maiores ídolos do Belo, caso esteja a fim de correr em busca do título estadual e do acesso à Série B. Se conquistar o acesso e a torcida, pode mesmo superar todos os citados desta análise no que mais importa. É o que a torcida alvinegra espera.