A reta final da gestão do empresário Fillipe Félix na SAF do Botafogo-PB tem sido marcada por um caos institucional e econômico. Isso porque os salários estão atrasados, com direito até a uma carta oficial dos jogadores explicando as pendências e cobrando a diretoria, e as rescisões de ex-funcionários, ex-jogadores e ex-membros de comissão técnica não foram pagas.
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Além disso, uma conta de energia na Maravilha do Contorno não foi paga, o que ocasionou, na semana passada, um corte de energia no centro de treinamento do Alvinegro da Estrela Vermelha. Ainda tem premiação que não foi paga a atletas e funcionários. No caso dos funcionários, desde o Paraibano. No caso dos atletas, parte do “bicho” da classificação não foi dado.
Em meio a isso, dentro de campo, mais um fracasso na história do clube numa reta final de Série C do Campeonato Brasileiro, com o dirigente negando todas as denúncias por um certo tempo e contando uma realidade paralela que não existe.
Apesar de tudo isso, claro, é importante frisar que Fillipe Félix fez um investimento alto na temporada, chegando perto a R$ 30 milhões. A folha gira em torno de R$ 1,6 milhão atualmente e foi paga em dia em 99% da temporada. De todo modo, as pendências financeiras atuais são reais, a falta de transparência é uma realidade e todo os episódios que serão descritos aqui são fatos e foram devidamente apurados.
Salários atrasados
Nesta terça-feira, os jogadores pela primeira vez se posicionaram de uma maneira conjunta em cobrança à diretoria. Alegaram que não receberam parte do salário de agosto, acordado com o clube como direito de imagem, e parte da premiação para a classificação para o quadrangular do acesso.
Rescisões não pagas
O blog apurou ainda que vários funcionários que foram demitidos durante a temporada não receberam suas rescisões por direito. Da turma da cozinha, passando por ex-atletas e chegando a ex-membros da comissão técnica, a exemplo do primeiro treinador do ano, Bernardo Franco.

Atualmente, Bernardo é auxiliar de Paulo Autuori, no Fortaleza. Ele começou o ano como treinador do Belo. Foi demitido durante o Campeonato Paraibano, fez um acordo para sair, mas não recebeu nada que foi acordado.
O ex-técnico alvinegro confirmou ao blog que entrou com um processo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão independente criado pela CBF em 2015 para solucionar conflitos no futebol brasileiro de forma rápida e especializada.
Outro ex-membro de comissão técnica que ainda tem a receber do Botafogo-PB é o treinador Evaristo Piza, que comandou o clube no ano passado. O técnico ficou de receber os valores durante esta temporada, chegou a admitir isso publicamente, mas até agora não recebeu.
Além disso, uma funcionária procurou o blog e falou da sua situação. Ela trabalhou no clube durante o ano de 2026, mas foi desligada. Recebeu várias comunicações do financeiro do clube, dizendo que receberia, até que deixaram de respondê-la.
— Entrei em contato várias vezes, me disseram que iam pagar, pediram para eu ter paciência. Mas depois pararam de responder. Procurei um advogado e vou atrás dos meus direitos — comentou.
Apagão na Maravilha do Contorno
Na semana passada, a energia foi cortada na Maravilha do Contorno. De acordo com o que apurou o blog, a questão foi menos financeira e mais organizacional. Algumas faturas ficaram em aberto sem que houvesse alguém claramente responsável pelo pagamento. O que resultou no corte de energia no CT do clube por algumas horas.
O que diz Felipe Félix?
O investidor do clube, Fillipe Félix, admitiu dessa vez, em entrevista à Rádio Tabajara nesta terça-feira, algumas pendências, mas analisou que isso não atrapalhou o elenco nesta reta final.
— Quando entrei no Botafogo-PB eu peguei três folhas atrasadas. Realmente há essa questão da imagem pendente, mas eu tenho certeza que isso não atrapalhou o time nessa reta final. Estamos fazendo uma auditoria para que venham novos investidores para poder dar sequência a esse trabalho. Tudo que eu faço no Botafogo-PB é extremamente transparente — comentou.
Em relação ao futuro, o dirigente revelou que existem propostas de fundos de investimento para ajudar ele em 2027 financeiramente. E que fará questão de explicar os projetos para o Conselho Deliberativo da associação.
— Queremos mostrar os projetos, o que cada novo investidor pensa sobre futebol, sobre a base, para que a associação possa tirar dúvidas e ver detalhadamente o projeto para o clube — comentou.
Fillipe Félix vem negociando com dois fundos de investimento do Sudeste. Além disso, ele revelou que pretende seguir com ações do clube, mas ainda não definiu se será sócio majoritário ou minoritário do projeto.
Falta de transparência
De acordo com a Lei da SAF, o clube tem que divulgar as demonstrações financeiras, as atas e o estatuto da SAF em seu site. Isso não ocorreu em nenhum momento desde que o clube se transformou em SAF.
Nessa segunda-feira, o atual presidente do Botafogo Futebol Cube, a associação, Afonso Guedes, revelou que a SAF não foi transparente com o clube em nenhuma ocasião até aqui. A associação detém 10% das ações da Sociedade Anônima e é sócia nata do negócio.
O blog ainda apurou que os conselhos da SAF, o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal não funcionam na prática, ou seja, não estão devidamente constituídos. Não há reuniões, não há demonstrações financeiras.
Negações públicas da realidade
Gabriel Tota foi outro jogador que deixou o Belo ainda com valores a receber. O atleta chegou ao clube paraibano juntamente com Romarinho, em uma negociação que poderia chegar até R$ 2,4 milhões, ao bater metas. Em campo, o meia teve 12 jogos, marcou dois gols e deu uma assistência.
A rescisão de Tota aconteceu no início de setembro. Inicialmente, Félix afirmou que a saída do atleta aconteceu de maneira amigável. No entanto, em contato com o repórter Allan Hebert, do ge Paraíba, o advogado do jogador, Tiago Rino, afirmou que a rescisão aconteceu por decisão judicial, a chamada rescisão indireta, por conta de débitos do Botafogo-PB com o meia.

De acordo com o advogado Filipe Rino, o processo foi motivado por atrasos no salário de agosto (R$ 30 mil), nos direitos de imagem dos meses de julho e agosto (R$ 60 mil), 13º salário proporcional no valor de R$ 12.500 e de férias proporcionais (R$ 16.666,66). Além disso, o Botafogo-PB não estaria depositando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no valor de R$ 13.480.
Além dos débitos acima, o jurídico de Gabriel Tota também cobra no processo uma Cláusula Compensatória Desportiva de R$ 450 mil, parcelas do contrato de imagem também no valor de R$ 450 mil e o pagamento dos honorários advocatícios do processo, no montante de 15% sobre o valor da condenação, que seria de 159.396,99. Ao todo, a defesa do jogador cobra do clube aproximadamente R$ 1,2 milhão.
Publicamente, no entanto, Fillipe Félix negou toda essa realidade, escondendo que o passivo seria dessa ordem. Além disso, em outros momentos, chegou a dizer que não havia premiação atrasada para os atletas. O que foi agora desmentido pelos atletas.