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ANÁLISE

Lisca é escolha coerente do Botafogo-PB para o curto prazo, mas é difícil imaginar o técnico encerrando a temporada no Belo; entenda

Técnico chega ao Botafogo-PB com a missão, primeiramente, da classificação. Veja a análise sobre o contexto e o longo prazo do treinador.
Lisca, Botafogo-PB
Foto: João Neto / Botafogo-PB
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Deu casamento. O namoro entre Lisca e Botafogo-PB nem demorou muito até chegar nos “finalmentes”. O treinador gaúcho é agora o responsável por comandar o Belo na sequência da temporada, que tem a reta final do Campeonato Paraibano, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e a Série C do Campeonato Brasileiro pela frente. Mas o técnico vai viver tudo isso no Alvinegro? Tenho sérias dúvidas. Por conta de alguns aspectos.

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Chegada de Lisca ao Botafogo-PB

Mas primeiro vamos contextualizar a escolha de Lisca por parte do Botafogo-PB. O novo “louco” do Alvinegro da Estrela Vermelha chega por uma demanda flagrantemente, ao meu ver, de curto prazo. Lisca foi o escolhido para substituir o jovem Bernardo Franco, que teve um fim precoce no comando botafoguense, após tropeços em casa para Sousa e Esporte de Patos (contra o Pato, o jogo foi em Natal, ainda que mando do Belo) e uma goleada constrangedora para um turbulento Campinense. Todos esses resultados somados a uma performance frágil nesses primeiros jogos da temporada botafoguense.

+ Bernardo Franco responsabiliza psicológico dos atletas do Botafogo-PB em goleada sofrida para o Campinense: “Foi emocional e não tático”

É nesse cenário de correção de rota, mas, sobretudo, de um certo desespero em relação ao objetivo primeiro da temporada, e economicamente importante, que é, pelo menos, chegar na decisão do estadual, que o Botafogo-PB recorre a Lisca. O Belo está fora do G-4 do Campeonato Paraibano, tendo a maior folha salarial da sua história, que supera as de todos os concorrentes. O que torna a condição substancialmente problemática mesmo.

Então Lisca é a opção pensando mesmo nesse curto prazo. E, diante disso, é uma alternativa coerente. Eu diria até, que dentro das possibilidades reais do mercado, é uma das melhores. Senão, a melhor. Lisca chega para tentar chacoalhar o ambiente e tem absoluta competência para esses momentos. Já salvou o Ceará do rebaixamento em condições de chances ainda piores do que a do Belo de passar de fase no Estadual. É acostumado a gerar respostas rápidas, melhorar autoestima de um grupo em baixa e conseguir esses objetivos.

E situação do Botafogo-PB, diga-se, guarda uma grande distância do quase impossível. O Belo está em sexto lugar, mas está a apenas um ponto do líder Treze. Tem quatro jogos por fazer, contra Nacional de Patos e Atlético de Cajazeiras (fora), e diante de Treze e Serra Branca (em casa). De modo que a classificação, para quem tem Lisca no comando, Nenê no meio campo, e a maior folha do Paraibano, continua sendo uma obrigação, mesmo com a interrupção do trabalho de Bernardo Franco e a chegada de Lisca no meio do torneio.

Agora o Botafogo-PB tem um médio e longo prazo pela frente, e me parece improvável ver Lisca até o fim do ano no clube. Explico! Vamos falar a verdade. Lisca não é um técnico de Série C. Nem se limita ao folclore da sua alcunha, Lisca Doido. O gaúcho tem grande competência técnica e tática, não a toa tem mercado em toda a Série B e numa parcela menor da Série A.

+ Confira a negociação entre Belo e Lisca

E só não estava lá porque quis tirar um ano sabático, de descanso. Após, importante dizer, passar por um momento de trabalhos curtos em muitos times, disputando poucos jogos por cada um. O último grande trabalho, realmente já faz algum tempo, e foi no América-MG em 2020. Diante de tudo isso, voltar ao mercado por cima, depois de um ano fora, não é algo imperativo. Era mesmo uma possibilidade ter que voltar por um clube de Série C. E foi o que ocorreu.

Mas eu conheço o mercado. Basta Lisca ir bem no Botafogo-PB, conseguir o título estadual e começar de maneira promissora na Série C para diversos clubes, que estiverem vivendo crises nos andares de cima, olharem para um Lisca que já conhecem bem, mas que estará comandando uma orquestra, e não mais em casa, vendo a banda passar. O mínimo sucesso no Belo vai gerar assédios de vários clubes a Lisca. E vai ser difícil manter o treinador até o fim da temporada na terceira divisão nacional.

Há, no entanto, o outro lado dessa dialética futebolística. É que Lisca pode não ir bem diante de um desafio que, repito, ele me parece um dos mais qualificados a assumir e conseguir entregar o que se espera, que é o título estadual. Mas, caso não seja eficiente diante desse curto prazo, o técnico pode ser mandado embora, visto que é caro e que vai ser cobrado, provavelmente, para entregar a Fillipe Félix, dono da SAF do Botafogo-PB, a taça de campeão paraibano, e as diversas receitas que isso traz no ano seguinte, com as vagas de Copa do Brasil e Copa do Nordeste.

E Félix já mostrou que não tem muita paciência para um trabalho a longo prazo que, porventura, não entregue os melhores resultados já no curto prazo. Evaristo Piza salvou o Botafogo-PB do rebaixamento, mas não deu a classificação. Não ficou! Bernardo Franco perdeu seu primeiro jogo no Estadual e não foi dado tempo a ele para terminar o Paraibano à frente do Alvinegro. Escolhas legítimas, culturais do futebol, mas que fazem parte de um perfil de entendimento de futebol que é essencialmente imediatista.

Ou seja, tanto no sucesso quanto no fracasso de Lisca, a condição prática para manter o comandante gaúcho até a busca do acesso vai ser um desafio. E quem escolhe Lisca para o comando técnico do Botafogo-PB precisa compreender isso. Que a opção vai ser difícil de se constituir como uma escolha de longo prazo, ainda que não seja impossível. De todo modo, até aqui pelo menos, o longo prazo não está na pauta do dia da SAF do Botafogo-PB.

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