O Conselho Deliberativo (CD) do Campinense afastou o presidente Flávio Torreão e o diretor financeiro do clube, Wellington Monteiro da Silva. A reunião que determinou o afastamento dos dois dirigentes aconteceu na noite da última quinta-feira e contou com 24 conselheiros, que aprovaram a decisão de forma unânime.
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O afastamento de Flávio Torreão e de Wellington Monteiro acontece de forma imediata e vale até a data da próxima reunião extraordinária, marcada para o dia 1º de julho. Na próxima sessão, o colegiado vai deliberar sobre a destituição definitiva dos dois dirigentes ou os seus respectivos retornos. O ex-presidente do Campinense, William Simões, foi escolhido pelo CD para assumir o clube de maneira interina.
Motivos dos afastamentos
O Conselho do Campinense apurou que o clube passa por uma inadimplência salarial, omissão da existência de confissão de dívida, relatório financeiro não entregue, ofícios sem resposta consistente, irregularidades patrimoniais e obstrução institucional. Confira cada um dos casos.
- Inadimplência salarial: ao todo, são três folhas em aberto com funcionários fixos. Em um dos casos, um funcionário está há quatro meses sem receber. No entanto, o clube havia recebido R$ 82 mil, o suficiente para quitar pelo menos um dos débitos. Como consequência, a situação gerou despejo, apreensão judicial de veículo e privação de necessidades básicas do trabalhador;
- Omissão da existência de confissão de dívida: o Conselho do Campinense alega que Flávio Torreão omitiu a existência de confissão de dívida assinado em março com um escritório de advocacia. Esse débito equivale a EUR 43.157,88, o que corresponde a R$ 251.649,80 na cotação atual;
- Relatório financeiro não entregue: Flávio Torreão não enviou o balanço de setembro de 2025 a maio de 2026. No entanto, o prazo se expirou no dia 8 de maio sem o cumprimento;
- Ofícios sem resposta: de quatro ofícios, apenas um foi respondido. A resposta em questão pedia 30 dias adicionais, sem justificativa;
- Irregularidades patrimoniais: o conselho da Raposa alega que o diretor financeiro do clube, Wellington Monteiro, retirou a máquina de gelo do Campinense, além de, supostamente, estar com 28 bolas oficiais, distribuídas pela Federação Paraibana de Futebol (FPF-PB) ao time rubro-negro;
- Obstrução institucional: Flávio Torreão havia proibido a secretaria do Campinense de receber expedientes do Conselho Deliberativo sem uma autorização prévia. Isso foi confirmado pelo Secretário do Conselho Diretor.
O que vem a seguir?
- Até 48 horas: Flávio Torreão e Wellington Monteiro devem entregar documentos, acessos e bens institucionais, incluindo a máquina de gelo e as 28 bolas da FPF-PB;
- Até 20 de junho: prazo para que os afastados apresentem defesa formal escrita ao Conselho Deliberativo;
- Até 1º de julho: o relator Francisco Neto distribui relatório circunstanciado aos conselheiros;
- 1º de julho de 2026: sessão para decidir a destituição definitiva, retorno ao cargo ou prorrogação do afastamento.
Anteriormente, o blog havia noticiado em abril que o Campinense ainda devia salários e verbas rescisórias a parte dos jogadores que disputaram o Campeonato Paraibano 2026. Já naquele momento, o presidente Flávio Torreão estava se sentindo isolado e sem apoio político ou econômico dos outros dirigentes.