O Conselho Técnico da Copa Paraíba estava previsto para maio, de acordo com calendário oficial da Federação Paraibana de Futebol (FPF) de 2026. Mas o encontro dos clubes não ocorreu. Até agora, publicamente, apenas o Nacional de Patos e Serra Branca confirmaram que vão disputar a competição. O torneio, que estava agendado para começar no dia 1º de agosto, como consta no mesmo calendário, ainda não tem data para ocorrer.
Isso porque, para obedecer a Lei Geral do Esporte, a tabela e o regulamento do torneio têm que ser divulgados no mínimo 45 dias antes do seu início. Em uma reunião inicial realizada nesta terça-feira ficou definido que o Conselho Técnico será em setembro, de acordo com apuração do blog. O campeonato, portanto, deve ser jogado em novembro e dezembro.
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Copa Paraíba segue sendo desafio
O não cumprimento da data definida para que fosse realizado o Conselho Técnico do torneio é apenas mais um dos desafios que a FPF vai ter que enfrentar para conseguir realizar o torneio.
O principal deles, ao meu ver, segue sendo o critério estabelecido inicialmente para que o campeonato seja disputado apenas pelos seis clubes que não avançaram de fase no Campeonato Paraibano deste ano e que não caíram para a 2ª divisão.
Desse modo, a competição fica no limite para que seja considerado um torneio seletivo que possa destinar uma vaga para a Copa do Brasil. Isso porque o Manual de Competições da CBF de 2026 prevê um mínimo de clubes para que um torneio seletivo possa oferecer uma vaga para torneios nacionais. E esse mínimo é justamente seis — com o adendo de que três precisam ser da elite do futebol do estado. Logo, bastaria uma desistência para a Copa Paraíba não fazer sentido por não poder dar uma vaga na Copa do Brasil.
Com o Conselho Técnico marcado para setembro, o torneio tem previsão para iniciar em novembro e terminar em dezembro. Abrindo margem para que clubes que tenham disputado a 2ª divisão do Campeonato Paraibano, que está prevista para começar em setembro e terminar no início de novembro, possam jogar a Copa Paraíba também. O hiato entre a Segundona e a Copa Paraíba seria pequeno, o que pode atrair que alguns clubes mantenham o elenco, o investimento, de um campeonato para outro, para disputarem uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Não é uma certeza. Mas abre um caminho maior de que o torneio não seja boicotado.
Vale lembrar: a reflexão surge porque a FPF quando anunciou que iria retomar com a competição confirmou inicialmente que apenas os clubes de 1ª divisão que não foram para as finais e que não foram rebaixados disputariam o torneio. No entanto essa não é uma definição irrevogável. O Conselho Técnico, marcado para setembro, pode ou não fazer uma correção de rota.
Campinense, em crise, pode desistir… e se dar bem!
Quem observa a questão de perto é o Campinense. Atravessando uma crise institucional, com direito a afastamento do presidente do clube, Flávio Torreão, em processo conduzido pelo Conselho Deliberativo da Raposa, e devendo salários a grande parte do elenco que disputou o estadual, o clube é quem pode ser o maior interessado a “boicotar” o torneio.
Primeiro porque o clube realmente passa por problemas financeiros e teria que investir mais neste ano para poder montar um novo elenco para o torneio. Só que o clube ainda deve a vários jogadores que estiveram na Raposa em 2026. Segundo porque caso a competição não aconteça é justamente o Campinense, como terceiro colocado do Campeonato Paraibano, que herdaria a terceira vaga na Copa do Brasil. As outras duas são de Botafogo-PB e Sousa, finalistas do Paraibano 2026.
À FPF cabe mobilizar os clubes para que ninguém desista. Um processo que envolve tempo, política, pressões e seduções financeiras, no sentido de que a competição possa ser formatada de uma forma que seja o menos deficitária possível.
Ou aumentar o número de clubes no torneio, abrindo também para times que não integraram a 1ª divisão do Campeonato Paraibano deste ano, aumentando as chances de que desistências não interfiram na construção do torneio como seletiva para uma vaga paraibana na Copa do Brasil.